A análise crítica é aquela avaliação que os estudiosos fazem dos eventos, relatando e comparando os seus aspectos extremos, como por exemplo, o que foi negativo ou positivo, foi bom ou ruim, suas vantagens ou desvantagens, verdades ou mitos, entre outros.
Muitas vezes é importante certificar-se sobre qual lado ou perspectiva o autor (ou autores) crítica pertence ou se posiciona. Acompanhem este artigo publicado no site da BBC, tradicional serviço de comunicação do Reino Unido.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46167651
Primeira Guerra
Mundial durou de 1914 a 1918
Nenhuma guerra na história atrai mais controvérsia e gera
mais mitos do que a Primeira Guerra Mundial. Muito do que achamos saber sobre o
conflito está errado.
Para os soldados que lutaram, a guerra foi, em alguns
aspectos, melhor do que confrontos anteriores e, em outros, piores. Mas
descrevê-la como excepcionalmente trágica, nos impede de conhecê-la a fundo. Tampouco
nos permite entender o que passaram soldados e civis presos em outros inúmeros
confrontos passados e atuais.
Confira abaixo cinco mitos sobre a Primeira Guerra Mundial,
cujo fim completou 100 anos em novembro de 2018.
1º Mito: Foi a guerra mais sangrenta da história até então
Cinquenta anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, o
sul da China foi destruído por um conflito ainda mais sangrento.
Estimativas conservadoras do número de mortos nos 14 anos da
rebelião de Taiping indicam que 20 a 30 milhões de pessoas morreram.
Na Primeira Guerra Mundial, 17 milhões de soldados e civis
perderam a vida.
2º Mito: Não houve vencedores
Grandes extensões da Europa ficaram em ruínas, milhões
morreram ou ficaram feridos. Os sobreviventes passaram a apresentar graves
traumas mentais.
Nesse contexto, seria difícil falar em vencedores.
No entanto, do ponto de vista exclusivamente militar, o Reino
Unido e seus aliados foram os grandes vitoriosos.
Os navios de guerra alemães foram contidos pela Marinha Real
britânica a ponto de suas tripulações se entregarem em vez de lançarem um
ataque suicida.
O exército alemão entrou em colapso depois de uma série de
ataques dos aliados.
No fim de setembro de 1918, o imperador alemão e seu
conselheiro militar Erich Ludendorff admitiram que não havia mais esperança de
vitória e que a Alemanha deveria rezar pela paz. O armistício de 11 de novembro
foi essencialmente uma rendição alemã.
Ao contrário de Adolf Hitler em 1945, o governo alemão não
insistiu em manter uma luta inútil e sem sentido até que os Aliados chegassem a
Berlim, uma decisão que salvou inúmeras vidas, mas depois serviu para sustentar
a versão de que a Alemanha nunca foi realmente derrotada na Primeira Guerra
Mundial.
3º Mito: O Tratado de Versalhes foi extremamente duro
O tratado de Versalhes confiscou 10% do território da
Alemanha, mas deixou o país como a maior e mais rica nação da Europa central.
Quase não havia forças de ocupação e as reparações
financeiras estavam ligadas à sua capacidade de pagamento. Além disso, em sua
maioria, essas indenizações não foram reivindicadas.
O tratado foi sem dúvida menos severo do que aqueles que
puseram fim à Guerra Franco-Prussiana de 1870-71 e à Segunda Guerra Mundial.
No primeiro caso, os alemães vitoriosos no conflito
franco-prussiano anexaram grandes porções do território de duas ricas
províncias francesas, nas quais o ferro do país era produzido. Além disso,
forçaram Paris a pagar uma conta enorme.
No segundo, a Alemanha foi ocupada, dividida, os maquinários
de suas fábricas destruídos ou roubados e milhões de prisioneiros foram
forçados a permanecer com seus captores e trabalhar como escravos.
Além disso, o país perdeu todo o território que havia
conquistado na Primeira Guerra Mundial.
Versalhes não foi um tratado duro, mas foi apresentado como
tal por Hitler, que se aproveitou da ira popular contra o acordo para chegar ao
poder.
As táticas e a tecnologia nunca mudaram tão radicalmente em
quatro anos de luta. Foi um momento de inovação extraordinária.
Em 1914, os generais galoparam a cavalo pelos campos de
batalha, enquanto homens com roupas de pano atacavam o inimigo sem as defesas
necessárias. Ambas as partes estavam armadas principalmente com rifles.
Quatro anos depois, equipes de combate com capacetes de aço
avançaram protegidas por cortinas de granadas de artilharia.
Os soldados estavam armados com lança-chamas, metralhadoras
portáteis e granadas que eram disparadas a partir de rifles.
Acima deles, aviões, que em 1914 teriam sido
inimaginavelmente sofisticados, sobrevoavam os céus, alguns carregando rádios
experimentais e fazendo transmissões ao vivo.
Enormes peças de artilharia disparavam com precisão, usando
apenas fotos aéreas e matemática para acertar alvos com um único ataque.
Os tanques haviam passado da mesa de projeto para o campo de
batalha em apenas dois anos, mudando a guerra para sempre.
5º Mito: Todo mundo sofreu
Como em qualquer guerra, o grau de sofrimento depende da
sorte.
Pode ser que alguém seja vítima de horrores inimagináveis que
o deixam mental e fisicamente incapacitado para o resto da vida. Mas pode ser
que nada lhe aconteça.
Soldados que tiveram sorte na Primeira Guerra Mundial não
participaram de nenhuma grande ofensiva e na maioria das vezes estavam em melhores
condições do que em casa.
Os britânicos, por exemplo, comiam carne todos os dias - um
luxo que não se repetia muito na vida civil - tinham cigarros, chá e rum, e uma
dieta diária de mais de 4 mil calorias.
As taxas de absenteísmo devido a doenças, um importante
barômetro da moral das unidades militares, permaneceram - notavelmente - quase
as mesmas que em tempos de paz.
Muitos jovens desfrutavam de salários garantidos, camaradagem
intensa, responsabilidade e maior liberdade sexual.
