Guerra Fria: Conceitos e Construções Marcantes: O Muro de Berlim

 

Fonte: Wikicommons / IEG-Maps 
(Andreas Kunz, B. Johnen and Joachim Robert Moeschl: University of Mainz) 
                                                                                                 
Como  consequência  da  derrota  na  2a. Guerra Mundial,  
a maior  parte  do  território  da Alemanha 
foi dividida em quatro zonas de ocupação pelos países vencedores.
O território mais ao leste foi entregue em definitivo à Polônia.

O Muro de Berlim foi uma barreira física construída pela Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. 

Como parte da fronteira interna alemã, o muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos, o Ocidental e o Oriental.  

Antecedentes

Após a Segunda Guerra Mundial na Europa, o que restou da Alemanha nazista a oeste da linha formada pelos rios Oder e Neisse, fronteira histórica com a Polônia, foi dividido em quatro zonas de ocupação, conforme o Acordo de Potsdam, firmado em julho de 1945, entre Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido.

Cada zona de ocupação seria controlada por uma das quatro potências aliadas: os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética.

No lado Ocidental estabeleceu-se a República Federal da Alemanha (RFA), com regime político liberal e econômico capitalista, sob a ‘proteção’ e influência dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.

No lado Oriental foi constituída a República Democrática Alemã (RDA), sob jugo do regime soviético, com regime político comunista e economia planificada.

A capital, Berlim, definida como a sede de um Conselho de Controle Aliado, foi igualmente dividida em quatro setores, apesar da cidade estar situada bem no interior da zona soviética.

A situação em Berlim no pós-guerra era complicada, com a ocorrência de diversos incidentes resultantes dos desentendimentos entre os soviéticos e os outros vencedores da guerra, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França.

O plano inicial de Joseph Stalin, o líder soviético, era deixar o tempo passar para que o controle das forças ocidentais sobre a derrotada Alemanha fosse enfraquecido.

Contando ainda com uma possível retirada total das forças estadunidenses em dois anos, a URSS forçaria a criação de um estado alemão unificado socialista, que ficaria, portanto, na órbita soviética. Mas os aliados ocidentais não entraram no jogo do ditador soviético.

Em 1948, após desentendimentos sobre a reconstrução alemã e uma nova moeda para o país, Stalin determinou o Bloqueio de Berlim, impedindo que alimentos e outros produtos essenciais chegassem ao lado ocidental da cidade.

A reação do Ocidente foi imediata. Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e vários outros países iniciaram a enorme ‘ponte aérea de Berlim”, fornecendo os produtos impedidos de chegar pela via terrestre.

Outras ações do bloco alemão oriental socialista, manipulado pelos soviéticos, tentaram perturbar o ambiente político nas eleições de Berlim Ocidental, que resistiu o quanto pode, com manifestações de milhares de pessoas, pedindo a manutenção do transporte aéreo internacional.

Joseph Stalin suspendeu o bloqueio em 1949, reconhecendo que ele não surtia o efeito esperado.

 Em 7 de outubro de 1949 foi oficializada a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), após o Ministério de Negócios Estrangeiros Soviético conceder autoridade administrativa a região ocupada pela URSS.

Na realidade, a Alemanha Oriental não tinha autonomia.  Os soviéticos possuíam ilimitada penetração no regime de ocupação e nas estruturas da administração pública e das polícias militar e secreta.

A República Federal da Alemanha (RFA) havia sido criada em 23 de maio de 1949 e começava a entrar em estabilidade econômica e social, devido inclusive a ajuda do Plano Marshal.

A ocupação dos países da Europa Oriental pela União Soviética no final da Segunda Guerra Mundial trouxe muitos temores para as pessoas que viviam nas áreas recém-dominadas.

A maioria das pessoas do Bloco Oriental aspirava à independência e queriam que os soviéticos saíssem e deixassem seus países livres para decidirem o futuro, de preferência com um regime não comunista.

Mas não foi o que aconteceu. Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Bulgária, Romênia, Iugoslávia e Albânia viram seus respectivos Partidos Comunistas assumirem o poder, implantando regimes políticos ditatoriais socialistas, com todo suporte logístico, militar e econômico da União Soviética

Foi nesta época que ocorreu uma onda emigratória de cidadãos do leste europeu fugindo dos regimes comunistas autoritários para países da Europa Ocidental, das Américas do Norte, Central e do Sul e de outras regiões do planeta. O Brasil mesmo recebeu muitos imigrantes europeus orientais neste período.

É certo que o movimento emigratório deixava um vazio na disponibilidade de mão de obra, pois muitos imigrantes tinham qualificação profissional, além do que uma grande perda de trabalhadores já tinha ocorrido devido a guerra.  

Por esta razão é que foi implantada a Cortina de Ferro. Tratou-se de uma política pública da URSS, liderada por Joseph Stalin, implantada no seu país e nos seus estados satélites para impedir a fuga de cidadãos qualificados.

Essa questão era muito patente na Alemanha ocupada.

Aproveitando-se da zona de fronteira entre as zonas ocupadas na Alemanha, muitos cidadãos da República Democrática Alemã vinham se deslocando para a Alemanha Ocidental.

Observem os números de pessoas que emigraram: 

1950 = 197.000 

1951 = 165.000

1952 = 182.000

1953 = 331.000

Uma das razões para o aumento acentuado de emigrantes em 1953 foi o medo de uma sovietização mais intensa com as ações cada vez mais paranoicas de Joseph Stalin em 1952 e no início de 1953.

Apenas nos primeiros seis meses de 1953, 226.000 pessoas já tinham fugido.

Além do medo dos soviéticos e de seu líder Stalin, os alemães orientais tinham outra realidade. A Alemanha Oriental era diferente da Alemanha Ocidental.

A RFA (República Federal da Alemanha ou Alemanha Ocidental) passou a se desenvolver como um país ocidental capitalista com uma economia social de mercado e um governo de democracia parlamentar.

A partir de 1950 começou um crescimento econômico contínuo na Alemanha Ocidental, alimentando um "milagre econômico" de 20 anos.

Enquanto a economia da Alemanha Ocidental crescia e seu padrão de vida melhorava continuamente, a Alemanha Oriental enfrentava os problemas decorrentes de seu regime autoritário e do rígido controle soviético.

Era natural que muitos alemães orientais tentassem ir para a Alemanha Ocidental. Até 1961, três milhões e meio de alemães orientais conseguiram burlar as restrições de emigração do Leste socialista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental.


A Construção do Muro

Após mais de uma década de uma situação desfavorável, o regime socialista da Alemanha Oriental, achou a solução, a qual planejou por vários anos e que foi inspirada no conceito da Cortina de Ferro, imposto pela União Soviética nas fronteiras dos seus estados satélites.  

O Muro de Berlim foi construído por trabalhadores da Alemanha Oriental na madrugada de 13 de agosto de 1961.

Dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda.

O Muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental com ordens de atirar para matar aqueles que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses.

Durante sua existência, entre 1961 e 1989, o Muro praticamente interrompeu todos os movimentos de emigração e separou a Alemanha Oriental de Berlim Ocidental por mais de um quarto de século.

Nos dias atuais, com mais de trinta após a extinção do Muro, ainda são visíveis em Berlim, os vestígios da separação Leste - Oeste, ainda que os recentes governos da Alemanha reunificada tenham investido pesadamente em projetos de modernização e equiparação das áreas urbanas.

Atualmente as localidades por onde o Muro passava não são facilmente reconhecidas, principalmente por aqueles que não viveram na cidade quando ele existia.     


A Cruel Estrutura

O Muro de Berlim chegou a mais de 140 quilômetros de comprimento, circundando toda a área urbana de Berlim Ocidental.

Em junho de 1962, uma segunda cerca paralela, também conhecida como parede (muro interno) foi construída cerca de 100 metros mais longe, no território da Alemanha Oriental.

As casas contidas entre a parede e as cercas foram destruídas e os moradores foram realocados, estabelecendo o que mais tarde ficou conhecido como "faixa da morte".

Esta faixa que ficava coberta de areia ou cascalho, o que facilitava a detecção de pegadas e invasores e permitia aos policiais ver quais guardas haviam negligenciado sua tarefa; não oferecia cobertura; e, mais importante, oferecia campos de tiro claros para os guardas das torres de vigia.

Ao longo dos anos, o Muro de Berlim evoluiu em quatro versões:

                (1ª)   Cerca de arame e muro de blocos de concreto (1961)

                (2ª)   Cerca de arame melhorada (1962 – 1965)

                (3ª)   Muro de concreto melhorado (1965 – 1975)

                (4ª)   Muro da fronteira 75 (1975 - 1989)

O "muro da quarta geração" era conhecido oficialmente como elemento do muro de contenção, a versão final e mais sofisticada da muralha.

Iniciado em 1975 e concluído por volta de 1980, a quarta geração foi construída a partir de 45 mil seções separadas de concreto armado, cada uma com 3,6 metros de altura e 1,2 metro de largura, ao custo de 3,6 milhões de dólares.

As disposições de concreto adicionadas a esta versão do muro foram feitas para impedir que os fugitivos conduzissem seus carros através das barricadas.

Em pontos estratégicos, o muro foi construído com um padrão um pouco mais fraco, para que veículos blindados da Alemanha Oriental e da União Soviética pudessem facilmente romper em caso de guerra.

 

A Queda do Muro de Berlim

Durante uma onda revolucionária de libertação do comando de Moscou que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989 que todos os cidadãos da Alemanha Oriental poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e a Berlim Ocidental.

Essa decisão veio após várias semanas de distúrbios civis na Alemanha Oriental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o muro juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração.

Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs. Mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase o todo da estrutura.

A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990.

Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria.

 

Foto do grafiteiro Thierry Noir de 1986, na via Bethaniendamn
Berlin-Kreuzberg, lado Ocidental. 
(Wikipedia)

O Muro de Berlim foi construído em 1961 pelo governo 
da Alemanha Oriental para evitar que seus habitantes 
fugissem e deixassem um vazio economicamente desastroso de trabalhadores.
A barreira, por se localizar numa importante cidade europeia, 
foi um símbolo da Guerra Fria por 28 anos e sua queda, em 1989, 
marcou o fim iminente do conflito.  

 


 




   

 




Guerra Fria: Conceitos e Construções Marcantes - A Cortina de Ferro

 

Mapa da Cortina de Ferro


Cortina de Ferro descreve a fronteira política que divide a Europa em duas áreas separadas desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945 até o final da Guerra Fria em 1991.

O termo simboliza os esforços da União Soviética (URSS) para se bloquear a si mesma e seus estados satélites do contato aberto com o Ocidente e seus estados aliados.

A União Soviética (ou URSS – nome oficial abreviado), era o maior país do mundo em extensão territorial (22,4 milhões de Km²), ocupando parte do continente europeu e grande parte do continente asiático. Era formada por 15 repúblicas:



Faziam parte da Cortina de Ferro as sete Repúblicas Europeias da URSS e os seguintes países do Leste Europeu:

  • Polônia
  • Alemanha Oriental
  • Tchecoslováquia
  • Hungria
  • Romênia
  • Bulgária

No lado leste da Cortina de Ferro estavam os países que estavam conectados ou influenciados pela União Soviética, enquanto no lado oeste estavam os países que eram membros da OTAN ou nominalmente neutros.

Como pode ser observado no mapa, a Albânia e a antiga Iugoslávia, que entre os anos de 1980 e 2000, foi dividida em sete países independentes, não eram considerados como pertencentes à Cortina de Ferro, embora fossem socialistas e localizados no leste europeu.  

Alianças econômicas e militares internacionais separadas foram desenvolvidas em cada lado da Cortina de Ferro.

Mais tarde, tornou-se um termo para a barreira física de cercas, muros, campos minados e torres de vigia de 7.000 quilômetros de extensão (4.300 milhas) que dividia o "leste" e o "oeste".

O Muro de Berlim também fazia parte dessa barreira física.

Durante a Guerra Fria, a Europa Oriental esteve sob o domínio (ou fazia parte) da União Soviética, enquanto os países da Europa Ocidental se mantiveram independentes, embora formassem um bloco político alinhado com os Estados Unidos.

Tanto os países do leste europeu quanto as repúblicas europeias e asiáticas que formavam a URSS, com suas línguas, etnias, culturas e estágio de desenvolvimento econômico muito diversos entre si funcionaram sob o estrito controle militar, geopolítico e econômico do estado soviético, sediado em Moscou.

Cortina de Ferro tornou-se um termo célebre para designar o domínio da extinta União Soviética sobre os países do leste da Europa.

O termo surgiu de um discurso do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, proferido a 5 de março de 1946 no Westminster College, na cidade de Fulton, Missouri, nos Estados Unidos.  No entanto, já havia sido usado antes, no mesmo contexto, por Joseph Goebbels, Ministro da Alemanha Nazista; Lutz Schwerin von Krosigk, Ministro da Alemanha Ocidental e pelo próprio Churchill, em maio de 1946.

Os dois blocos de países divididos pela Cortina de Ferro divergiam em vários aspectos:

·    No plano econômico, o Bloco Ocidental buscou a reconstrução no pós-guerra com  o Plano Marshall, enquanto o Bloco Oriental utilizou um modelo concorrente, denominado COMECON;

·  No plano militar, o Bloco Ocidental constituiu a Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN em 1949, enquanto o Bloco Oriental formou o Pacto de Varsóvia em 1955. É importante destacar que, na formação da OTAN, estão presentes, além dos países do oeste europeu, os EUA e o Canadá;

· No plano político, o Bloco Ocidental manteve como sistema econômico o capitalismo liberal, incluindo diferentes tipos de regimes políticos (desde democracias até regimes autoritários), enquanto o Bloco Oriental adotou o modelo do socialismo e a economia planificada, geralmente sob regimes autoritários de partido único.

A Cortina de Ferro além de representar a divisão ideológica, econômica e militar do mundo também foi instituída fisicamente, como pode se observar na foto abaixo, na fronteira entre a Alemanha Ocidental e a Tchecoslováquia.




 


Guerra Fria: Conceitos Que Permanecem: Os Três Mundos

O tema da Guerra Fria na disciplina de História Geral tem sido muito estudado ao longo das últimas décadas.

E com certeza está sendo analisado e comparado com muito mais profundidade nos tempos atuais, uma vez que os Estados ou os seus sucessores que participaram do grande jogo de xadrez que foi o período entre as décadas de 1950 e 1980, continuam a movimentar suas peças.

Neste ano de 2022 um estado de tensão importante entre a Rússia (sucessora da União Soviética) e os Estados Unidos e seus aliados, voltou a se fazer presente, devido, principalmente, à Guerra na Ucrânia.

Além do renovado confronto EUA e aliados versus Rússia e aliados, uma tensão crescente já vinha ocorrendo entre os  EUA e seus aliados e uma China cada vez mais poderosa.

Considerando os dois estados de tensão descritos acima, os estudiosos afirmam que estamos vivendo uma Segunda Guerra Fria!

As questões de Conhecimentos Gerais das provas para concursos públicos certamente irão abranger o tema histórico e genérico da Guerra Fria, assim como tópicos e eventos associados da atualidade, como a Guerra na Ucrânia que impactam a vida das pessoas em todo o mundo.

Ao longo das quatro décadas e meia de duração da Guerra Fria, foram desenvolvidos conceitos geopolíticos que nortearam o entendimento do mundo contemporâneo.

Muitos desses conceitos acabaram sendo representados até em obras e construções realizadas nos países envolvidos.



O Modelo de Três Mundos

O início da Guerra Fria é marcado pelo famoso discurso "Cortina de Ferro" de Winston Churchill, então primeiro-ministro britânico. Neste discurso, Churchill descreve a divisão do Ocidente e do Oriente como tão sólida que poderia ser chamada de cortina de ferro.

As características dos países que formavam o bloco ocidental e o bloco oriental eram tão diferentes que foram essencialmente considerados dois mundos.

No entanto, não foram imediatamente denominados primeiro e segundo mundos.

Em 1952, o demógrafo francês Alfred Sauvy cunhou o termo Terceiro Mundo fazendo uma referência aos três estados na França pré-revolucionária, no século 17.

O primeiro estado era a nobreza. O segundo era o clero. E todos os outros que não eram nobres ou não faziam parte da igreja, pertenciam a um terceiro estado.

Analisando o que estava ocorrendo no mundo naquela época, ele então comparou o mundo capitalista à nobreza (Primeiro Estado) e o mundo comunista comparou ao clero (Segundo Estado).

Assim como o Terceiro Estado compreendia todos os outros, Sauvy chamou de Terceiro Mundo todos os países que não estavam na divisão da Guerra Fria.

Foi então uma questão de lógica passar a chamar o Bloco Ocidental Capitalista de Primeiro Mundo e o Bloco Oriental Comunista de Segundo Mundo, surgindo assim o sistema de três mundos.


Posteriormente o sistema dos três mundos foi transformado em um modelo econômico mais aprofundado e baseado não só no alinhamento geopolítico, mas também em parâmetros como PIB, Renda Per Capita, nível de industrialização, desenvolvimento econômico geral e bem-estar social.

O modelo foi criado para classificar os países, separando-os em grupos e sugerindo uma regionalização do mundo. Abrangeu as quatro décadas da Guerra Fria, entre 1945 e 1990.



Entre abril e agosto de 1975, os Três Mundos da Guerra Fria estavam representados conforme o mapa acima.

O Primeiro Mundo era o Bloco Ocidental, liderado pelos Estados Unidos, Reino Unido, demais países da OTAN, Japão e outros aliados como Israel, Austrália e Nova Zelândia.

O Segundo Mundo era o Bloco Oriental, liderado pela União Soviética junto com Cuba e os demais países do Pacto de Varsóvia. A China e seus aliados Albânia, Vietnã do Norte, Coréia do Norte não eram mais alinhados à União Soviética, mas formavam um bloco anticapitalista alternativo.

O Terceiro Mundo era formado pelos países neutros (Suiça, Finlândia) e não alinhados (liderados pela Índia e Iugoslávia, com a participação de países africanos e asiáticos).

O Brasil e demais países da América Latina, da África e da Ásia não formavam nenhuma aliança e tampouco eram membros alinhados militarmente ao Bloco Ocidental.

Mas recebiam total influência e pressão  dos EUA no sentido de manterem-se afastados do Bloco Oriental comunista.

Em muitos países do Terceiro Mundo ocorreram disputas entre grupos de direita e de esquerda, golpes de estado e ações militares preventivas e repressivas que evitaram a implantação de regimes comunistas alinhados aos Blocos liderados pela União Soviética e China. Cuba certamente foi uma das exceções mais relevantes.





Guerra Fria - Um Resumo Wikipediano



Guerra Fria foi um período de tensão geopolítica  entre a  União Soviética (URSS)  e os  Estados  Unidos  (EUA)  e  seus  respectivos  aliados,  o Bloco Oriental e o Bloco Ocidental,  após a Segunda Guerra Mundial.

Considera-se geralmente que o período de duração da Guerra Fria começou em 1947 com a implantação da Doutrina Truman, então presidente dos EUA, até 1989 com a dissolução da União Soviética.

O termo "guerra fria" é usado porque não houve combates diretos em larga escala entre as duas superpotências.  Mas cada uma delas apoiou grandes conflitos regionais, conhecidos como guerras por procuração.

O conflito foi baseado em torno da luta ideológica e geopolítica pela influência global das duas potências, após sua aliança temporária e vitória contra a Alemanha nazista em 1945.

No período inicial da Guerra Fria ocorreu um grande desenvolvimento do arsenal nuclear, acompanhado da respectiva mobilização militar convencional.

Chegou-se a um momento chamado de doutrina da Destruição Mutuamente Assegurada (MAD).

Ou seja, a capacidade de ambos os lados de destruição com as armas atômicas era (e ainda é) tão grande que desencorajou um ataque nuclear preventivo de um contra o outro.

Assim a luta entre os EUA e a União Soviética foi expressa por meios indiretos, como guerra psicológica, campanhas de propaganda, espionagem, embargos de longo alcance, rivalidade em eventos esportivos, culturais e competições tecnológicas como a Corrida Espacial.

O Ocidente era liderado pelos Estados Unidos e por outras nações do Primeiro Mundo do Bloco Ocidental (Reino Unido, França, Alemanha Ocidental, Itália) que eram geralmente democráticas liberais.

No entanto, também fazia parte do Bloco Ocidental, uma rede de Estados autoritários, a maioria das quais eram suas ex-colônias.

O Bloco Oriental era liderado pela União Soviética e seu Partido Comunista, que exerceram influência em todo o Segundo Mundo e igualmente continha uma rede de estados autoritários.

O governo dos Estados Unidos apoiou regimes e golpes de direita em todo o mundo, enquanto o governo soviético financiou partidos e revoluções comunistas.

Como quase todos os Estados coloniais alcançaram a independência no período de 1945 a 1960, seus territórios tornaram-se campos de batalha do Terceiro Mundo na Guerra Fria.

A primeira fase da Guerra Fria começou imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Os Estados Unidos e os países da Europa Ocidental junto com o Canadá criaram a aliança militar da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte em 1949, com os objetivos de: 

(1º)  Conter o expansionismo socialista soviético; 

(2º) Coibir um renascimento do militarismo nacionalista na Europa por meio de uma forte presença  norte-americana no continente

(3º) Encorajar a integração política europeia.

Em resposta a criação do pacto militar da OTAN, a então União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas - URSS formou o Pacto de Varsóvia em 1955.

Além da URSS, faziam parte do Pacto de Varsóvia, Romênia, Iugoslávia, Polônia, Hungria, Bulgária, Checoslováquia, Albânia e Alemanha Oriental.    

As principais crises dessa primeira fase da Guerra Fria incluíram: 

  • o bloqueio de Berlim de 1948 a 1949, 
  • a Guerra Civil Chinesa de 1927 a 1950, 
  • a Guerra da Coreia de 1950 a 1953, 
  • a Crise do Canal de Suez de 1956, 
  • a crise de Berlim em 1961, 
  • a crise dos mísseis de Cuba em 1962.



A URSS e os EUA competiram por influência na América Latina, no Oriente Médio e nos Estados descolonizados da África e da Ásia.

Após a crise dos mísseis de Cuba, começou uma nova fase da Guerra Fria quando se intensificou a divisão sino-soviética.

Já no início da década de 1960, as relações entre a URSS e a China e a União Soviética passaram a ficar muito estremecidas, ocorrendo inclusive inúmeros conflitos fronteiriços. 

A partir de então a esfera socialista-comunista passou a ter dois países influenciadores para o resto mundo.   

Por outro lado, a França aliada dos EUA, começou a exigir maior autonomia de ação, desafiando a liderança norte-americana, que sempre teve uma inclinação pró Reino Unido.  

A URSS invadiu a Tchecoslováquia para suprimir a Primavera de Praga de 1968, enquanto os EUA experimentaram turbulências internas do movimento pelos direitos civis e oposição à Guerra do Vietnã.

Nos anos 1960-70, um movimento internacional de paz se enraizou entre os cidadãos de todo o mundo.

Ocorreram movimentos contra o teste de armas nucleares e pelo desarmamento nuclear, com grandes protestos antiguerra.

Na década de 1970, EUA e URSS começaram a fazer concessões de paz e segurança, dando início a um período denominado détente, palavra francesa que significa distensão ou relaxamento.

Importantes conversações entre EUA e URSS sobre a Limitação de Armas Estratégicas passaram a acontecer.

Os EUA se aproximaram da República Popular da China, impondo um contrapeso estratégico à URSS.

Mas, por outro lado, vários governos autoproclamados marxistas foram formados na segunda metade da década de 1970 no Terceiro Mundo, incluindo Angola, Moçambique, Etiópia, Camboja, Afeganistão e Nicarágua.

A détente entrou em colapso no final da década se 1970, com a invasão do Afeganistão pela União Soviética, em 1979.

O início dos anos 1980 foi outro período de tensão elevada.

Os Estados Unidos aumentaram as pressões diplomáticas, militares e econômicas sobre a União Soviética, numa época em que ela já estava sofrendo de estagnação econômica.

Na metade da década de 1980, o novo líder soviético Mikhail Gorbachev introduziu as reformas liberalizantes da glasnost (palavra russa que significa ‘abertura’), 1985 e perestroika (‘reorganização’), 1987.

Em 1989 as tropas da URSS deixaram o Afeganistão.

As pressões pela soberania nacional se intensificaram nos países da Europa Oriental, com Gorbachev se recusando a apoiar militarmente seus governos.

O resultado em 1989 foi uma onda de revoluções que (com exceção da Romênia ) derrubaram pacificamente quase todos os governos comunistas da Europa Central e Oriental.

A exceção foi na Romênia, onde uma série de tumultos e protestos violentos durante uma semana no final de dezembro de 1989, culminaram com a derrubada do regime comunista de Nicolae Ceaușescu.

Os tumultos progressivamente violentos levaram a um julgamento apressado e na execução de Ceaușescu e de sua esposa Elena.

O próprio Partido Comunista da União Soviética perdeu o controle na União Soviética e foi banido após uma tentativa de golpe abortada em agosto de 1991.

O banimento do Partido Comunista, por sua vez, levou à dissolução formal da URSS em dezembro de 1991, à declaração de independência de suas repúblicas constituintes e ao colapso dos governos comunistas em grande parte da África e Ásia.

E os Estados Unidos foram deixados como a única superpotência do mundo.


A Guerra Fria e seus eventos deixaram um legado significativo.

É frequentemente mencionada na cultura popular, especialmente na mídia que apresenta histórias de espionagem, conspirações e a constante ameaça da guerra nuclear.

Apesar disso, um estado renovado de tensão entre o Estado sucessor da URSS, a Rússia, e os Estados Unidos e seus aliados ocidentais ainda persiste nas primeiras décadas do século XXI.

Mas há ainda uma tensão crescente entre uma China cada vez mais poderosa e os Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

O conjunto dessas duas tensões tem sido denominado como a Segunda Guerra Fria.

Cinco Grandes Mitos Sobre a Primeira Guerra Mundial

A análise crítica é aquela avaliação que os estudiosos fazem dos eventos, relatando e comparando os seus aspectos extremos, como por exemplo, o que foi negativo ou positivo, foi bom ou ruim, suas vantagens ou desvantagens, verdades ou mitos, entre outros.

Muitas vezes é importante certificar-se sobre qual lado ou perspectiva o autor (ou autores) crítica pertence ou se posiciona. Acompanhem este artigo publicado no site da BBC, tradicional serviço de comunicação do Reino Unido. 


https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46167651


Primeira Guerra Mundial durou de 1914 a 1918


Nenhuma guerra na história atrai mais controvérsia e gera mais mitos do que a Primeira Guerra Mundial. Muito do que achamos saber sobre o conflito está errado.

Para os soldados que lutaram, a guerra foi, em alguns aspectos, melhor do que confrontos anteriores e, em outros, piores. Mas descrevê-la como excepcionalmente trágica, nos impede de conhecê-la a fundo. Tampouco nos permite entender o que passaram soldados e civis presos em outros inúmeros confrontos passados e atuais.

Confira abaixo cinco mitos sobre a Primeira Guerra Mundial, cujo fim completou 100 anos em novembro de 2018.

1º Mito: Foi a guerra mais sangrenta da história até então

Cinquenta anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, o sul da China foi destruído por um conflito ainda mais sangrento.

Estimativas conservadoras do número de mortos nos 14 anos da rebelião de Taiping indicam que 20 a 30 milhões de pessoas morreram.

Na Primeira Guerra Mundial, 17 milhões de soldados e civis perderam a vida.

2º Mito: Não houve vencedores

Grandes extensões da Europa ficaram em ruínas, milhões morreram ou ficaram feridos. Os sobreviventes passaram a apresentar graves traumas mentais.

Nesse contexto, seria difícil falar em vencedores.

No entanto, do ponto de vista exclusivamente militar, o Reino Unido e seus aliados foram os grandes vitoriosos.

Os navios de guerra alemães foram contidos pela Marinha Real britânica a ponto de suas tripulações se entregarem em vez de lançarem um ataque suicida.

O exército alemão entrou em colapso depois de uma série de ataques dos aliados.

No fim de setembro de 1918, o imperador alemão e seu conselheiro militar Erich Ludendorff admitiram que não havia mais esperança de vitória e que a Alemanha deveria rezar pela paz. O armistício de 11 de novembro foi essencialmente uma rendição alemã.

Ao contrário de Adolf Hitler em 1945, o governo alemão não insistiu em manter uma luta inútil e sem sentido até que os Aliados chegassem a Berlim, uma decisão que salvou inúmeras vidas, mas depois serviu para sustentar a versão de que a Alemanha nunca foi realmente derrotada na Primeira Guerra Mundial.

3º Mito: O Tratado de Versalhes foi extremamente duro

O tratado de Versalhes confiscou 10% do território da Alemanha, mas deixou o país como a maior e mais rica nação da Europa central.

Quase não havia forças de ocupação e as reparações financeiras estavam ligadas à sua capacidade de pagamento. Além disso, em sua maioria, essas indenizações não foram reivindicadas.

O tratado foi sem dúvida menos severo do que aqueles que puseram fim à Guerra Franco-Prussiana de 1870-71 e à Segunda Guerra Mundial.

No primeiro caso, os alemães vitoriosos no conflito franco-prussiano anexaram grandes porções do território de duas ricas províncias francesas, nas quais o ferro do país era produzido. Além disso, forçaram Paris a pagar uma conta enorme.

No segundo, a Alemanha foi ocupada, dividida, os maquinários de suas fábricas destruídos ou roubados e milhões de prisioneiros foram forçados a permanecer com seus captores e trabalhar como escravos.

Além disso, o país perdeu todo o território que havia conquistado na Primeira Guerra Mundial.

Versalhes não foi um tratado duro, mas foi apresentado como tal por Hitler, que se aproveitou da ira popular contra o acordo para chegar ao poder.

 4º Mito: As táticas na Frente Ocidental não mudaram apesar das repetidas falhas

As táticas e a tecnologia nunca mudaram tão radicalmente em quatro anos de luta. Foi um momento de inovação extraordinária.

Em 1914, os generais galoparam a cavalo pelos campos de batalha, enquanto homens com roupas de pano atacavam o inimigo sem as defesas necessárias. Ambas as partes estavam armadas principalmente com rifles.

Quatro anos depois, equipes de combate com capacetes de aço avançaram protegidas por cortinas de granadas de artilharia.

Os soldados estavam armados com lança-chamas, metralhadoras portáteis e granadas que eram disparadas a partir de rifles.

Acima deles, aviões, que em 1914 teriam sido inimaginavelmente sofisticados, sobrevoavam os céus, alguns carregando rádios experimentais e fazendo transmissões ao vivo.

Enormes peças de artilharia disparavam com precisão, usando apenas fotos aéreas e matemática para acertar alvos com um único ataque.

Os tanques haviam passado da mesa de projeto para o campo de batalha em apenas dois anos, mudando a guerra para sempre.

5º Mito: Todo mundo sofreu

Como em qualquer guerra, o grau de sofrimento depende da sorte.

Pode ser que alguém seja vítima de horrores inimagináveis que o deixam mental e fisicamente incapacitado para o resto da vida. Mas pode ser que nada lhe aconteça.

Soldados que tiveram sorte na Primeira Guerra Mundial não participaram de nenhuma grande ofensiva e na maioria das vezes estavam em melhores condições do que em casa.

Os britânicos, por exemplo, comiam carne todos os dias - um luxo que não se repetia muito na vida civil - tinham cigarros, chá e rum, e uma dieta diária de mais de 4 mil calorias.

As taxas de absenteísmo devido a doenças, um importante barômetro da moral das unidades militares, permaneceram - notavelmente - quase as mesmas que em tempos de paz.

Muitos jovens desfrutavam de salários garantidos, camaradagem intensa, responsabilidade e maior liberdade sexual.


O Que Provocou a Primeira Guerra Mundial?

 

https://www.natgeo.pt/historia/2019/04/o-que-provocou-primeira-guerra-mundial-e-quais-os-seus-efeitos


O que provocou a Grande Guerra

A Primeira Guerra Mundial foi originada por diversas razões, mas as suas raízes assentavam numa complexa rede de alianças entre as potências europeias. No seu âmago estava a desconfiança – e militarização – entre a informal “Tríplice Entente” (Grã-Bretanha – Império Britânico, França e o Império Russo) e a secreta “Tríplice Aliança” (Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Itália).

Os jogadores mais poderosos, a Grã-Bretanha, a Rússia e a Alemanha, governavam impérios coloniais que queriam expandir e proteger. No decorrer do século XIX, consolidaram o seu poder e protegeram-se forjando alianças com outras potências europeias.

Em julho de 1914, as tensões entre a Tríplice Entente (também conhecida por Aliados) e a Tríplice Aliança (também conhecida por Potências Centrais) inflamaram-se com o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono Austro-Húngaro, por um nacionalista sérvio bósnio, durante uma visita a Sarajevo. A Áustria-Hungria culpou a Sérvia pelo ataque. A Rússia apoiou o seu aliado, a Sérvia. Um mês depois, quando a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia, os seus aliados entraram no conflito – e o continente estava em guerra.

O alcance da guerra

O conflito expandiu-se rapidamente pelo mundo inteiro, afetando colónias e países aliados na África, na Ásia, no Oriente Médio e na Austrália. Em 1917, após um longo período de não intervenção, os Estados Unidos entraram na guerra. Quando a intervenção americana ocorreu, o principal teatro de guerra – a Frente Ocidental em Luxemburgo, na Holanda, na Bélgica e na França – estava sob um impasse mortal.

Apesar dos avanços, como a utilização de gás venenoso e de tanques blindados, ambos os lados ficaram presos numa guerra de trincheiras, ceifando um número impressionante de vidas.  A Batalha de Verdun e a Ofensiva do Somme estão entre os conflitos mais mortíferos da história.

Através da Ofensiva dos Cem Dias, com a ajuda dos EUA, os Aliados conseguiram finalmente progredir, derrotando militarmente a Alemanha.

Nessa altura, o mundo enfrentava uma pandemia de gripe que infectaria um terço da população mundial. A Alemanha, a Rússia e outros países estavam em revolução. Grande parte da Europa estava em ruínas. Os efeitos psicológicos da guerra e os efeitos secundários do envenenamento por gás acabariam por dizimar mais uns milhares de vidas.

Nunca mais?

Embora o mundo tivesse feito votos para impedir outra guerra de contornos semelhantes, as raízes do conflito seguinte seriam semeadas no Tratado de Versalhes, considerado pelos alemães como humilhante e punitivo, ajudando a preparar o terreno para a ascensão do fascismo e da Segunda Guerra Mundial.

A tecnologia desenvolvida durante a guerra seria usada na guerra mundial seguinte, apenas duas décadas mais tarde.

Apesar de ter sido descrita na época como “a guerra para pôr fim a todas as guerras”, a cicatriz deixada pela 1ª Guerra Mundial no planeta foi tudo menos temporária.

 



Primeira Guerra Mundial: O Real “Início” do Século XX

 https://brasilescola.uol.com.br/guerras/seculo-xx.htm

Certos autores dizem que, a despeito do calendário comum, o século XX começou, de fato, em 1914. Essa afirmação explicita o impacto histórico da Primeira Guerra Mundial. Até 1914, o mundo ainda vivia um eco da “Belle Époque” (Bela Época), isto é, a fase do progresso e do otimismo vivida na Europa dos grandes Impérios desde o fim da década de 1870.

A “inauguração” do século XX com uma guerra de proporções catastróficas (chamada por muitos de seus contemporâneos de “apocalíptica”) parecia ser um prenúncio da sucessão de guerras sangrentas que se alastrariam ao longo do século.

Contudo, antes mesmo de o primeiro conflito mundial acontecer, algumas guerras setoriais estouraram. Duas merecem destaque: a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e a Guerra dos Bálcãs (1912-1913). Essas guerras, sobretudo a dos Bálcãs, delineavam um pouco do que aconteceria em 1914, haja vista que foi na Bósnia (um dos países da Península Balcânica) que o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando foi assassinado. Como sabemos, a sua morte foi tida como o estopim da guerra.

A grande máquina de guerra da 1ª Guerra Mundial pertencia ao então II Reich (Segundo Império) alemão, que havia modernizado sua infraestrutura e seu arcabouço militar após a unificação, ocorrida em 1870. O II Reich, comando por Guilherme II, era uma das nações mais poderosas da época e, assim como outras, tinha pretensões expansionistas. As dimensões da guerra logo se tornaram evidentes com a quantidade de soldados, armamento, munições, bombas e veículos utilizados só no primeiro ano. O uso de armas químicas, como gases tóxicos que matavam instantaneamente, também revelou uma face terrível da guerra.

O Império Alemão, mesmo tendo entrado na guerra com o exército mais moderno, acabou perdendo e sendo obrigado a se submeter às sanções instituídas pelos seus inimigos, sobretudo pela França, prescritas no Tratado de Versalhes. Vale ressaltar que uma das consequências diretas da guerra foi a Revolução Bolchevique, levada a cabo na Rússia, em outubro de 1917. Os revolucionários russos, liderados por Lenin, aproveitaram-se do enfraquecimento que o Império do Czar Nicolau II sofreu durante a Primeira Guerra para empreender a ação revolucionária.

Soldados ingleses entrincheirados durante a Primeira Guerra Mundial