Guerra Fria: Conceitos e Construções Marcantes: O Muro de Berlim

 

Fonte: Wikicommons / IEG-Maps 
(Andreas Kunz, B. Johnen and Joachim Robert Moeschl: University of Mainz) 
                                                                                                 
Como  consequência  da  derrota  na  2a. Guerra Mundial,  
a maior  parte  do  território  da Alemanha 
foi dividida em quatro zonas de ocupação pelos países vencedores.
O território mais ao leste foi entregue em definitivo à Polônia.

O Muro de Berlim foi uma barreira física construída pela Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. 

Como parte da fronteira interna alemã, o muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos, o Ocidental e o Oriental.  

Antecedentes

Após a Segunda Guerra Mundial na Europa, o que restou da Alemanha nazista a oeste da linha formada pelos rios Oder e Neisse, fronteira histórica com a Polônia, foi dividido em quatro zonas de ocupação, conforme o Acordo de Potsdam, firmado em julho de 1945, entre Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido.

Cada zona de ocupação seria controlada por uma das quatro potências aliadas: os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética.

No lado Ocidental estabeleceu-se a República Federal da Alemanha (RFA), com regime político liberal e econômico capitalista, sob a ‘proteção’ e influência dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.

No lado Oriental foi constituída a República Democrática Alemã (RDA), sob jugo do regime soviético, com regime político comunista e economia planificada.

A capital, Berlim, definida como a sede de um Conselho de Controle Aliado, foi igualmente dividida em quatro setores, apesar da cidade estar situada bem no interior da zona soviética.

A situação em Berlim no pós-guerra era complicada, com a ocorrência de diversos incidentes resultantes dos desentendimentos entre os soviéticos e os outros vencedores da guerra, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França.

O plano inicial de Joseph Stalin, o líder soviético, era deixar o tempo passar para que o controle das forças ocidentais sobre a derrotada Alemanha fosse enfraquecido.

Contando ainda com uma possível retirada total das forças estadunidenses em dois anos, a URSS forçaria a criação de um estado alemão unificado socialista, que ficaria, portanto, na órbita soviética. Mas os aliados ocidentais não entraram no jogo do ditador soviético.

Em 1948, após desentendimentos sobre a reconstrução alemã e uma nova moeda para o país, Stalin determinou o Bloqueio de Berlim, impedindo que alimentos e outros produtos essenciais chegassem ao lado ocidental da cidade.

A reação do Ocidente foi imediata. Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e vários outros países iniciaram a enorme ‘ponte aérea de Berlim”, fornecendo os produtos impedidos de chegar pela via terrestre.

Outras ações do bloco alemão oriental socialista, manipulado pelos soviéticos, tentaram perturbar o ambiente político nas eleições de Berlim Ocidental, que resistiu o quanto pode, com manifestações de milhares de pessoas, pedindo a manutenção do transporte aéreo internacional.

Joseph Stalin suspendeu o bloqueio em 1949, reconhecendo que ele não surtia o efeito esperado.

 Em 7 de outubro de 1949 foi oficializada a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), após o Ministério de Negócios Estrangeiros Soviético conceder autoridade administrativa a região ocupada pela URSS.

Na realidade, a Alemanha Oriental não tinha autonomia.  Os soviéticos possuíam ilimitada penetração no regime de ocupação e nas estruturas da administração pública e das polícias militar e secreta.

A República Federal da Alemanha (RFA) havia sido criada em 23 de maio de 1949 e começava a entrar em estabilidade econômica e social, devido inclusive a ajuda do Plano Marshal.

A ocupação dos países da Europa Oriental pela União Soviética no final da Segunda Guerra Mundial trouxe muitos temores para as pessoas que viviam nas áreas recém-dominadas.

A maioria das pessoas do Bloco Oriental aspirava à independência e queriam que os soviéticos saíssem e deixassem seus países livres para decidirem o futuro, de preferência com um regime não comunista.

Mas não foi o que aconteceu. Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Bulgária, Romênia, Iugoslávia e Albânia viram seus respectivos Partidos Comunistas assumirem o poder, implantando regimes políticos ditatoriais socialistas, com todo suporte logístico, militar e econômico da União Soviética

Foi nesta época que ocorreu uma onda emigratória de cidadãos do leste europeu fugindo dos regimes comunistas autoritários para países da Europa Ocidental, das Américas do Norte, Central e do Sul e de outras regiões do planeta. O Brasil mesmo recebeu muitos imigrantes europeus orientais neste período.

É certo que o movimento emigratório deixava um vazio na disponibilidade de mão de obra, pois muitos imigrantes tinham qualificação profissional, além do que uma grande perda de trabalhadores já tinha ocorrido devido a guerra.  

Por esta razão é que foi implantada a Cortina de Ferro. Tratou-se de uma política pública da URSS, liderada por Joseph Stalin, implantada no seu país e nos seus estados satélites para impedir a fuga de cidadãos qualificados.

Essa questão era muito patente na Alemanha ocupada.

Aproveitando-se da zona de fronteira entre as zonas ocupadas na Alemanha, muitos cidadãos da República Democrática Alemã vinham se deslocando para a Alemanha Ocidental.

Observem os números de pessoas que emigraram: 

1950 = 197.000 

1951 = 165.000

1952 = 182.000

1953 = 331.000

Uma das razões para o aumento acentuado de emigrantes em 1953 foi o medo de uma sovietização mais intensa com as ações cada vez mais paranoicas de Joseph Stalin em 1952 e no início de 1953.

Apenas nos primeiros seis meses de 1953, 226.000 pessoas já tinham fugido.

Além do medo dos soviéticos e de seu líder Stalin, os alemães orientais tinham outra realidade. A Alemanha Oriental era diferente da Alemanha Ocidental.

A RFA (República Federal da Alemanha ou Alemanha Ocidental) passou a se desenvolver como um país ocidental capitalista com uma economia social de mercado e um governo de democracia parlamentar.

A partir de 1950 começou um crescimento econômico contínuo na Alemanha Ocidental, alimentando um "milagre econômico" de 20 anos.

Enquanto a economia da Alemanha Ocidental crescia e seu padrão de vida melhorava continuamente, a Alemanha Oriental enfrentava os problemas decorrentes de seu regime autoritário e do rígido controle soviético.

Era natural que muitos alemães orientais tentassem ir para a Alemanha Ocidental. Até 1961, três milhões e meio de alemães orientais conseguiram burlar as restrições de emigração do Leste socialista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental.


A Construção do Muro

Após mais de uma década de uma situação desfavorável, o regime socialista da Alemanha Oriental, achou a solução, a qual planejou por vários anos e que foi inspirada no conceito da Cortina de Ferro, imposto pela União Soviética nas fronteiras dos seus estados satélites.  

O Muro de Berlim foi construído por trabalhadores da Alemanha Oriental na madrugada de 13 de agosto de 1961.

Dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda.

O Muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental com ordens de atirar para matar aqueles que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses.

Durante sua existência, entre 1961 e 1989, o Muro praticamente interrompeu todos os movimentos de emigração e separou a Alemanha Oriental de Berlim Ocidental por mais de um quarto de século.

Nos dias atuais, com mais de trinta após a extinção do Muro, ainda são visíveis em Berlim, os vestígios da separação Leste - Oeste, ainda que os recentes governos da Alemanha reunificada tenham investido pesadamente em projetos de modernização e equiparação das áreas urbanas.

Atualmente as localidades por onde o Muro passava não são facilmente reconhecidas, principalmente por aqueles que não viveram na cidade quando ele existia.     


A Cruel Estrutura

O Muro de Berlim chegou a mais de 140 quilômetros de comprimento, circundando toda a área urbana de Berlim Ocidental.

Em junho de 1962, uma segunda cerca paralela, também conhecida como parede (muro interno) foi construída cerca de 100 metros mais longe, no território da Alemanha Oriental.

As casas contidas entre a parede e as cercas foram destruídas e os moradores foram realocados, estabelecendo o que mais tarde ficou conhecido como "faixa da morte".

Esta faixa que ficava coberta de areia ou cascalho, o que facilitava a detecção de pegadas e invasores e permitia aos policiais ver quais guardas haviam negligenciado sua tarefa; não oferecia cobertura; e, mais importante, oferecia campos de tiro claros para os guardas das torres de vigia.

Ao longo dos anos, o Muro de Berlim evoluiu em quatro versões:

                (1ª)   Cerca de arame e muro de blocos de concreto (1961)

                (2ª)   Cerca de arame melhorada (1962 – 1965)

                (3ª)   Muro de concreto melhorado (1965 – 1975)

                (4ª)   Muro da fronteira 75 (1975 - 1989)

O "muro da quarta geração" era conhecido oficialmente como elemento do muro de contenção, a versão final e mais sofisticada da muralha.

Iniciado em 1975 e concluído por volta de 1980, a quarta geração foi construída a partir de 45 mil seções separadas de concreto armado, cada uma com 3,6 metros de altura e 1,2 metro de largura, ao custo de 3,6 milhões de dólares.

As disposições de concreto adicionadas a esta versão do muro foram feitas para impedir que os fugitivos conduzissem seus carros através das barricadas.

Em pontos estratégicos, o muro foi construído com um padrão um pouco mais fraco, para que veículos blindados da Alemanha Oriental e da União Soviética pudessem facilmente romper em caso de guerra.

 

A Queda do Muro de Berlim

Durante uma onda revolucionária de libertação do comando de Moscou que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989 que todos os cidadãos da Alemanha Oriental poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e a Berlim Ocidental.

Essa decisão veio após várias semanas de distúrbios civis na Alemanha Oriental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o muro juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração.

Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs. Mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase o todo da estrutura.

A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990.

Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria.

 

Foto do grafiteiro Thierry Noir de 1986, na via Bethaniendamn
Berlin-Kreuzberg, lado Ocidental. 
(Wikipedia)

O Muro de Berlim foi construído em 1961 pelo governo 
da Alemanha Oriental para evitar que seus habitantes 
fugissem e deixassem um vazio economicamente desastroso de trabalhadores.
A barreira, por se localizar numa importante cidade europeia, 
foi um símbolo da Guerra Fria por 28 anos e sua queda, em 1989, 
marcou o fim iminente do conflito.