O tema da Guerra Fria na disciplina de História Geral tem sido muito estudado ao longo das últimas décadas.
E com certeza está sendo analisado e comparado com muito mais
profundidade nos tempos atuais, uma vez que os Estados ou os seus sucessores
que participaram do grande jogo de xadrez que foi o período entre as décadas de
1950 e 1980, continuam a movimentar suas peças.
Neste ano de 2022 um estado de tensão importante entre a Rússia (sucessora da União
Soviética) e os Estados Unidos e seus aliados, voltou a se fazer
presente, devido, principalmente, à Guerra na Ucrânia.
Além do renovado confronto EUA e aliados versus Rússia
e aliados, uma tensão crescente já vinha ocorrendo entre os EUA e seus aliados e uma China cada vez mais poderosa.
Considerando os dois estados de tensão descritos acima, os estudiosos afirmam que estamos vivendo uma Segunda
Guerra Fria!
As questões de Conhecimentos Gerais das provas para concursos
públicos certamente irão abranger o tema histórico e genérico da Guerra Fria,
assim como tópicos e eventos associados da atualidade, como a Guerra na Ucrânia que impactam a vida das pessoas em
todo o mundo.
Ao longo das quatro décadas e meia de duração da Guerra Fria,
foram desenvolvidos conceitos geopolíticos que nortearam o entendimento do
mundo contemporâneo.
Muitos desses conceitos acabaram sendo representados até em
obras e construções realizadas nos países envolvidos.
O Modelo de Três Mundos
O início da Guerra Fria é marcado pelo famoso discurso
"Cortina de Ferro" de Winston Churchill, então primeiro-ministro
britânico. Neste discurso, Churchill descreve a divisão do Ocidente e do
Oriente como tão sólida que poderia ser chamada de cortina de ferro.
As características dos países que formavam o bloco ocidental
e o bloco oriental eram tão diferentes que foram essencialmente considerados
dois mundos.
No entanto, não foram imediatamente denominados primeiro e
segundo mundos.
Em 1952, o demógrafo francês Alfred Sauvy cunhou o termo Terceiro Mundo fazendo uma referência aos três
estados na França pré-revolucionária, no século 17.
O primeiro estado era a nobreza. O segundo era o clero.
E todos os outros que não eram nobres ou não faziam parte da igreja, pertenciam a
um terceiro estado.
Analisando o que estava ocorrendo no mundo naquela época, ele
então comparou o mundo capitalista à nobreza (Primeiro Estado) e o mundo
comunista comparou ao clero (Segundo Estado).
Assim como o Terceiro Estado compreendia todos os outros,
Sauvy chamou de Terceiro
Mundo todos os
países que não estavam na divisão da Guerra Fria.
Foi então uma questão de lógica passar a chamar o Bloco
Ocidental Capitalista de Primeiro Mundo e o Bloco Oriental Comunista de Segundo Mundo, surgindo assim o sistema de três
mundos.
Posteriormente o sistema dos três mundos foi transformado em um modelo econômico mais aprofundado e baseado não só no alinhamento geopolítico, mas também em parâmetros como PIB, Renda Per Capita, nível de industrialização, desenvolvimento econômico geral e bem-estar social.
O modelo foi criado para classificar os países, separando-os
em grupos e sugerindo uma regionalização do mundo. Abrangeu as quatro décadas
da Guerra Fria, entre 1945 e 1990.
Entre abril e agosto de 1975, os Três Mundos da
Guerra Fria estavam representados conforme o mapa acima.
O Primeiro Mundo era o Bloco Ocidental,
liderado pelos Estados Unidos, Reino Unido, demais países da OTAN, Japão e
outros aliados como Israel, Austrália e Nova Zelândia.
O Segundo Mundo era o Bloco Oriental,
liderado pela União Soviética junto com Cuba e os demais países do Pacto de
Varsóvia. A China e seus aliados Albânia, Vietnã do Norte, Coréia do Norte não
eram mais alinhados à União Soviética, mas formavam um bloco anticapitalista
alternativo.
O Terceiro Mundo era formado pelos países
neutros (Suiça, Finlândia) e não alinhados (liderados pela Índia e
Iugoslávia, com a participação de países africanos e asiáticos).
O Brasil e demais países da América Latina, da África e da Ásia
não formavam nenhuma aliança e tampouco eram membros alinhados militarmente ao
Bloco Ocidental.
Mas recebiam total influência e pressão dos EUA no sentido de manterem-se
afastados do Bloco Oriental comunista.
Em muitos países do Terceiro Mundo ocorreram disputas entre grupos de direita e
de esquerda, golpes de estado e ações militares preventivas e repressivas que evitaram a
implantação de regimes comunistas alinhados aos Blocos liderados pela União Soviética
e China. Cuba certamente foi uma das exceções mais relevantes.


